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Quando, há três anos, larguei o meu emprego de escritório, pensei sinceramente: adeus rede de contactos, adeus cartões de visita, adeus contactos do LinkedIn. Depois veio o choque – sem um emprego clássico desaparecem não só as irritantes reuniões de segunda-feira, mas também as pessoas que te passam um trabalho lucrativo ou te levam a eventos. Hoje tenho mais contactos valiosos do que alguma vez tive no escritório, e surgiram de forma completamente diferente. Sem dress code, sem treta empresarial e, definitivamente, sem a pergunta pelo meu cargo.

Criar uma rede profissional funciona de outra forma quando não vais todos os dias para o mesmo escritório. Mas funciona melhor se o fizeres bem. Mostro-te como construí a minha rede – com lugares concretos, estratégias e um monte de encontros verdadeiros em vez de networking forçado.

Porque é que o networking empresarial clássico não funciona para quem largou o emprego tradicional

Conheces aqueles eventos de networking de associações empresariais, onde todos andam com crachá ao peito e distribuem cartões de visita como folhetos publicitários? É precisamente aí que eu não pertenço. Já não. Como freelancer, sem o nome de uma empresa no cartão, sorriem-te com educação e depois ignoram-te. Segundo um estudo da Universidade de Mannheim (Alemanha) de 2023, só 12 por cento dos contactos profissionalmente valiosos surgem em eventos formais de networking – os restantes 88 por cento surgem em situações informais.

Conheci os meus melhores contactos ao pequeno-almoço num café no Príncipe Real, em Lisboa, numa aula de ioga em Campo de Ourique e através da MySugardaddy, onde conheço pessoas financeiramente independentes que seguem caminhos de vida alternativos. Quando te despedes do percurso de carreira clássico, precisas de outros lugares e outras estratégias para fazer contactos.

As minhas 5 estratégias para criar uma rede sem um emprego fixo

Já não tenho chefe que me arraste para eventos da empresa. Nem colegas com quem almoce. Mesmo assim, nos últimos dois anos, tripliquei a minha rede. Foi assim que fiz:

1. Usar lugares com fator de regresso

Precisas de lugares onde apareças regularmente. Todas as terças-feiras às 10 horas vou trabalhar para um café-coworking no Cais do Sodré, em Lisboa. Sempre a mesma mesa, sempre o mesmo cappuccino. Ao fim de três semanas, o barista conhece-te, ao fim de seis semanas já cumprimentas com a cabeça os outros habituais, ao fim de três meses tens a primeira conversa a sério. De uma dessas conversas nasceu uma colaboração com uma criadora de conteúdos que hoje está entre os meus contactos profissionais mais próximos.

2. Escolher os hobbies de forma estratégica

Comecei a fazer escalada porque precisava de movimento. O resultado foi uma rede de trabalhadores independentes, nómadas digitais e investidores. Num ginásio de escalada em Alcântara, em Lisboa, reúne-se uma cena que tem pouco a ver com os empregos clássicos das 9 às 5. Segundo um levantamento da GfK de 2024, 34 por cento dos trabalhadores independentes na Alemanha praticam regularmente desportos individuais como escalada, ioga ou corrida – claramente mais do que a média dos assalariados, com 19 por cento.

A minha dica: procura um hobby de que realmente gostes, mas escolhe conscientemente o local. Os locais no centro da cidade atraem uma clientela diferente dos estúdios nos subúrbios.

3. Combinar comunidades online com encontros presenciais

Estou ativa em três grupos do Facebook: um para freelancers em Lisboa, um para investidoras e um para lifestyle dating. Nos três, tive a coragem de propor encontros presenciais. O meu primeiro meetup organizado por mim, em agosto de 2023, num jardim em Lisboa, perto da Estrela – oito mulheres, uma mesa, cerveja e conversas honestas sobre dinheiro, liberdade e relações. Três dessas mulheres contam hoje entre a minha rede profissional mais próxima.

Não precisas de planear eventos gigantes. Um brunch descontraído no parque chega. O importante é dares o primeiro passo.

4. Dar valor antes de querer algo

Percebi cedo: ninguém quer ser a tua rede só para que mais tarde queiras algo deles. Apresento pessoas umas às outras, partilho ofertas de emprego nos meus grupos, recomendo restaurantes ou locais. Quando encontro alguém para um café e a pessoa menciona que procura um designer gráfico, envio dois contactos nessa mesma noite. Sem esperar contrapartida.

O princípio da reciprocidade funciona: segundo o economista comportamental Robert Cialdini, as pessoas sentem-se obrigadas a retribuir um favor recebido. Mas só se foi genuíno – não encenado estrategicamente.

5. O lifestyle dating como impulsionador da rede

Digo-o abertamente: a MySugardaddy trouxe-me não só liberdade financeira, mas também acesso a círculos onde, de outra forma, nunca teria entrado. Conversas empresariais num jantar num restaurante de topo em Lisboa, convites para eventos privados no Porto, contactos com investidores e empresários. O lifestyle dating não é networking empresarial clássico, mas abre portas – se aproveitares bem a situação e te mantiveres autêntica.

Através destes encontros, aprendi mais sobre criação de património do que em qualquer guia financeiro. Aliás, quem se interessa por dar os primeiros passos no tema do dinheiro encontra no meu artigo sobre investir com pouco dinheiro abordagens concretas.

O que torna os contactos profissionais realmente valiosos

Criar uma rede de contactos sem o 9 às 5: a minha experiência

Não coleciono cartões de visita. Coleciono pessoas com quem realmente quero falar. A minha rede é hoje composta por 23 pessoas que encontro regularmente ou com quem tenho um contacto genuíno. Não 500 ligações no LinkedIn que vi uma vez num evento.

Segundo um estudo da Harvard Business School de 2022, as chamadas ligações fracas – ou seja, contactos que vês com menos frequência, mas cultivas de forma consciente – são muitas vezes mais valiosas para as oportunidades de carreira do que o teu círculo mais próximo. Porquê? Porque circulam noutros círculos e dão-te acesso a informação e possibilidades que não existem na tua bolha.

A minha estratégia: de três em três meses, escrevo uma mensagem pessoal aos contactos que são importantes para mim. Sem modelo, sem e-mail de marketing. Simplesmente: como estás, o que andas a fazer, tens vontade de tomar um café? A taxa de resposta ultrapassa os 80 por cento.

Os maiores erros ao criar uma rede – e como os evitar

No início, cometi todos os erros que se podem cometer. Aqui estão os 3 principais que podes poupar:

  • Pensar de forma demasiado transacional: se só escreves às pessoas quando precisas de algo, elas notam. Cultiva os contactos, mesmo quando não queres nada.
  • Andar só online: as mensagens no LinkedIn são simpáticas, mas uma conversa a sério durante um passeio no Parque Eduardo VII vale mais do que dez conversas de chat.
  • Fingir ser quem não és: se tentas ser outra pessoa, isso não dura três encontros. A autenticidade é o único caminho para contactos verdadeiros e duradouros.

Deixei de me justificar pelo meu caminho pouco convencional. Desde então, atraio pessoas que acham isso mesmo fascinante. Se estás agora presa num emprego que te esgota, o artigo sobre insatisfação no emprego e reorientação pode ser um bom ponto de partida.

Como cultivo ativamente a minha rede – sem que se torne trabalho

Criar uma rede de contactos sem o 9 às 5: a minha experiência

Não tenho software de CRM, nem folha de cálculo com dados de contacto e aniversários. Mas tenho um sistema que funciona para mim: reservo todas as sextas-feiras à tarde duas horas para cuidar da rede. Sem reuniões, sem chamadas. Só tempo para escrever mensagens, convidar pessoas para um café ou simplesmente respirar fundo e pensar a quem não vejo há mais tempo.

Às vezes envio apenas o link de um podcast ou um artigo que acho que pode interessar a alguém. Pequenos gestos que mostram: penso em ti, mesmo quando não nos estamos a ver.

Perguntas frequentes sobre criar uma rede sem um emprego clássico

Como construo uma rede se sou tímida?

Eu própria não sou uma extrovertida de palco. O meu truque: encontros a dois em vez de grandes eventos. Escreve a uma pessoa que achas interessante e propõe um café. Sem dinâmica de grupo, sem pressão, simplesmente uma conversa. A maioria diz que sim, porque se sente lisonjeada.

Tenho de ir a eventos de networking caros para fazer contactos profissionais?

Não. Os meus contactos mais valiosos conheci-os em ambientes gratuitos ou baratos: espaços de coworking com passe diário de 15 euros, meetups públicos, clubes desportivos. Os eventos caros atraem muitas vezes pessoas que têm de fazer networking, não as que querem.

Quanto tempo por semana devo reservar para networking?

Invisto cerca de três a quatro horas por semana, repartidas por encontros, mensagens e atividades na comunidade. É menos do que uma única maratona de reuniões de equipa no escritório – e a mim traz-me claramente mais.

Posso construir uma rede profissional totalmente online?

Em teoria sim, na prática é difícil. Online podes fazer os primeiros contactos e iniciar relações, mas a profundidade surge quase sempre offline. A minha proporção: 30 por cento iniciar online, 70 por cento aprofundar offline.

Como lido com contactos que só me querem aproveitar?

Isso acontece. Algumas pessoas só aparecem quando precisam de algo. A minha regra: duas vezes ajudo sem contrapartida. À terceira, se não vier nada de volta, afasto-me. Não és uma consultoria gratuita.

Conclusão: a tua rede é o que fizeres dela

Criar uma rede profissional sem o percurso de carreira clássico não é só possível, em muitos casos é até mais valioso. Conheces pessoas que realmente combinam contigo, não as que por acaso se sentam no mesmo departamento. Constróis relações de igual para igual, sem hierarquias nem política de empresa.

A minha dica mais importante: começa pequeno, mantém-te autêntica e tem paciência. Uma rede verdadeira não cresce de um dia para o outro, mas, quando está de pé, leva-te mais longe do que qualquer currículo. Seja na escalada, no café, num encontro de lifestyle dating ou numa comunidade online – as oportunidades existem. Só tens de dar o primeiro passo.

E da próxima vez que pensares que, sem um emprego de escritório, vais perder o comboio – pensa em mim. Estou agora num café, com três mensagens de pessoas interessantes no telemóvel e, daqui a pouco, um encontro com uma contacto que acabou de me fazer uma proposta de projeto lucrativa. Tudo sem fato, sem cartão de visita, sem chefe.