Trabalhar ou não trabalhar, qual é o mal menor?
Quanto vale ainda o 12.º ano?

Uma das piores coisas que podem acontecer a alguém na nossa sociedade é o desespero que se sente quando, à procura de trabalho, se sofrem revezes uma e outra vez. As exigências dos empregadores são cada vez mais exigentes, de modo que, em alguns casos, nem sequer o 12.º ano chega. Onde antes bastava o 12.º ano como tal, hoje a média também tem de estar à altura, de preferência 20 valores. Estas exigências elevadas fazem com que muitos caiam na frustração com o emprego.

A esperança e a vontade desaparecem

Quando esta frustração com o emprego se instala, perde-se a vontade de quase tudo. Já não apetece levantar-se, negligencia-se a casa e, sobretudo, deixa-se de ter qualquer interesse em escrever mais candidaturas. Fica-se simplesmente preguiçoso. Se, ainda por cima, se fica à espera no centro de emprego, com muitas esperanças, e não se consegue nada, o ego vai ficando cada vez mais pequeno. Fica-se com a impressão de que ninguém quer ajudar e de que, de qualquer modo, não existe o trabalho certo. Um ou outro começa provavelmente a duvidar das suas próprias capacidades, porque a ideia de não ser uma parte útil da sociedade se vai instalando cada vez mais na cabeça. O próprio impulso diminui, a motivação fica cada vez menor e, se agora não se tiver cuidado, escorrega-se até ao fundo. Ter consciência dos próprios pontos fortes, saber o que se quer e manter a motivação e a disponibilidade para o esforço é uma virtude indispensável nestes momentos. Só assim se consegue contornar o buraco em que se corre o risco de cair e continuar a olhar para o futuro com sucesso.

O emprego errado com bom dinheiro é o certo?

Muitos conhecem certamente o problema de se ter um rendimento bom a muito bom, mas de o trabalho em si não dar prazer. Também aqui existe o risco de se cair na frustração com o emprego. Dia após dia arrasta-se para o trabalho e, dia após dia, rasteja-se depois de volta para casa. Esgotado, desfeito, simplesmente infeliz. Deixar este emprego não é, porém, uma opção, pois não se pode nem se quer prescindir do dinheiro. E assim este processo recomeça uma e outra vez, até que, também aqui, em algum momento se abre um buraco à nossa frente, no qual se corre o risco de cair. Fiel ao lema "olhos fechados e em frente", tenta-se, mesmo assim, tirar o melhor de cada situação e nem se nota que se muda tanto que muitas coisas boas que antes se fazia deixam, de repente, de acontecer. Instala-se uma certa monotonia, que consiste apenas em trabalho e no descanso depois dele.

O emprego perfeito só existe para muito poucos; para os restantes, trata-se de procurar a melhor mistura possível entre trabalho, tempo livre e rendimento.